Atenção Farmacêutica na Recuperação de Tabagistas na Cidade de Campina Grande

O tabagismo é um dos principais fatores de ris­co para as doenças crônicas não transmissíveis, responsável por cerca de seis milhões de mortes ao ano. Projeções apon­tam que, em 2020, esse número será de 7,5 mi­lhões, representando 10% de todas as mortes ocorridas no mundo (PINTO; PICHON-RIVIERE; BARDACH;, 2015).

As estratégias utilizadas para minimizar o impacto da divulgação das evidências científicas acerca dos malefícios do tabaco e o longo espaço de tempo entre início do consumo do cigarro e manifestações de seus efeitos mais graves têm contribuído para essas projeções. O controle do tabaco deve ser prioridade da saúde pública, por representar uma das maiores causas de morbimortalidades que podem ser evitadas (BRASIL, 2001).

Promover a redução do consumo de cigarros é imprescindível. Medidas como prevenção, promoção de ambientes livres de fumo e tratamento do tabagismo deve ser prioridade de saúde pública. Os malefícios causados são inúmeros e o alcance de pessoas que consomem cigarros deve ser preconizado. Então, para minimizar os riscos ocasionados pelo tabaco, faz-se necessário tratar o tabagista.

O aconselhamento do profissional de saúde é fundamental para o sucesso no abandono do fumo. O tratamento do tabagista está entre as intervenções de saúde que manifesta as melhores relações entre custo e benefício. A abordagem do fumante para a cessação de fumar tem como objetivo principal a intervenção psicoterápica cognitivo-comportamental, e a utilização de apoio medicamentoso.

Através da abordagem cognitivo-comportamental, o tabagista é apoiado e motivado no processo de cessação do cigarro, tornando-se capaz de lidar com a síndrome de abstinência, dependência psicológica e hábitos associados ao fumo que geram o condicionamento (BRASIL, 2001). Esta abordagem, dependendo da situação, pode apresentar melhores resultados, se apoiada por medicamentos que diminuem sintomas da síndrome de abstinência. Na atualidade, há medicamentos de eficácia comprovada no auxílio ao tabagista deixar de fumar. A bupropiona é o medicamento de eleição nesse grupo, pois na maioria dos casos não apresenta efeitos colaterais importantes.

É imprescindível o alcance de pessoas que já fazem uso de tabaco e almeja a abstenção, então, programas de controle ao tabagismo permitem que o profissional de saúde realize abordagem do paciente tabagista, acompanhando-o adequadamente de acordo com suas especificidades, visando à redução de danos provocados pelo consumo de tabaco, gerando assim qualidade de vida para a comunidade.

O Programa Multidisciplinar de Tratamento de Tabagistas de Campina Grande é realizado no Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e Faculdade Maurício de Nassau. São assistidos Tabagistas acima de 18 anos e ambos os sexos que buscam o tratamento voluntariamente.

O programa conta com uma equipe multidisciplinar composta por estudantes de medicina, farmácia, nutrição, psicologia, odontologia, fisioterapia e educação física, sob a orientação de seus respectivos professores-orientadores.  O acompanhamento do tabagista se realiza em conformidade com a área de atuação de cada profissional durante 3 meses.

O tratamento se inicia com uma palestra com todas as equipes, onde são apresentados os malefícios do cigarro e o papel de cada equipe do projeto. Posteriormente, encontros multidisciplinares quinzenais são realizados, e nesse primeiro momento, a equipe de farmácia realiza a entrevista individual, a cerca do perfil socioeconômico, histórico tabagista, medicamentos utilizados atualmente e teste de Fagerstrom para avaliação do grau de dependência à nicotina. Nesse encontro, também é observado à classificação dos medicamentos prescritos conforme ATC (Anatomical Therapeutic Chemical) e interação medicamentosa com bupropiona.

No decorrer dos encontros, a equipe de Farmácia atua na atenção farmacêutica, que compreende a prevenção de doenças, promoção e recuperação de saúde de forma integrada. A interação direta da equipe de farmácia com o paciente tem por objetivo a educação em saúde, dispensação da bupropiona e realização de monitoramento periódico, visando o auxilio nos sintomas da síndrome de abstinência, bem como abordando a cerca das reações adversas e/ou interações medicamentosas relacionadas ao medicamento.

O farmacêutico possui a formação profissional direcionada para o estudo dos fármacos e sua atuação no organismo, evidencia-se como o profissional apto para prevenir, identificar e intervir nas interações medicamentosas, atuando na resolução dos problemas relacionados a medicamentos após sua prescrição. Desta forma, por intermédio da atenção farmacêutica, pode acompanhar o tratamento do paciente, revisando as prescrições médicas e o perfil farmacoterapêutico, preservando sua saúde e consequentemente reduzindo custos para o sistema de saúde (CARREIRA et al., 2008).

Portanto, a contribuição promovida por esse programa, com a participação da equipe de farmácia, é benéfica para pacientes que procuram o serviço e a comunidade de forma geral, através da redução do impacto provocado pelo uso do cigarro.

REFERÊNCIAS 

BRASIL. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Abordagem e tratamento do fumante. Rio de Janeiro: INCA, 2001.

BISSON, M. P. Farmácia Clínica & Atenção Farmacêutica. 2ª Ed., Editora Manole, p. 7-8. São Paulo, 2007.

CARREIRA, C. F. S. et al. Interações medicamentosas: Um relato de caso sobre a avaliação e intervenção farmacêutica. In: Encontro de Iniciação à Docência, 11., 2008, João Pessoa. UFPB-PRG.

PINTO, M. T.; PICHON-RIVIERE, A.; BARDACH, A. Estimativa da carga do tabagismo no Brasil: mortalidade, morbidade e custos. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 31 n. 6, p. 1283-1297, Jun. 2015.

 

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