Mostras de filmes e muito rock marcam a quarta noite do 14° Festival Audiovisual Comunicurtas UEPB

29.11.2019

“A vitalidade do cinema está muito nessa coisa do fazer. De fato, a gente passou muito tempo para fazer essa coisa no Brasil inteiro. Existem vários profissionais no mercado, com várias especialidades, que trabalham nos filmes e sobrevivem do cinema. Eu acho que a gente tem que brigar por tudo que a gente já conquistou”. O depoimento é de Gabriel Coelho, diretor e roteirista do filme “Até 10”, gravado em Pernambuco e exibido durante a noite dessa quinta-feira (28), no Cine São José, em Campina Grande, dentro da programação do 14º Festival Audiovisual de Campina Grande – Comunicurtas UEPB.

Coelho faz parte dos jovens roteiristas nacionais que lutam pela vida do cinema no país, que não desistem da ideia de que ainda há muito para mostrar e de que é possível resgatar histórias através do cinema. Foi com pessoas nesta garra de Gabriel que a penúltima noite do 14° Comunicurtas UEPB aconteceu. As mostras Tropeiros, Tropiqueers, Brasil e Longa Metragem, com o filme “Frei Damião – O Santo do Nordeste”, levaram o público a acompanhar diversas novas histórias. O filme de Coelho foi um dos que trouxe uma proposta diferente e arriscada. Se trata de um filme formalista no aspecto, podendo ser algo negativo para alguns ou positivo para outros.

Sobre o desafio dessa narração, o diretor fez questão de abordar que imagina o “Até Dez” como um filme que tem um trabalho de som muito fino, que trabalha com o que o ser humano pode sentir com o seu corpo. “A ideia é que, através do som, do incômodo que ele provoca, as pessoas sintam as mesmas sensações dos personagens. De uma forma muito estranha, você se aproxima da história”, explicou Gabriel.

O filme de Coelho, que é estudante de Cinema e Audiovisual na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), é fruto do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), assim como o de Rebeca Souza, que levou para a Mostra Tropeiros o filme “Uma Passagem em Três Tempos”, gravado em Boa Vista, no Agreste da Paraíba, derivado também de seu TCC para finalizar o Curso de Serviço Social, pela UEPB.

Conforme Rebeca, o filme já tem passagem em alguns festivais, como o Curta Taquary, Festival do Congo, Festival de Rua de Remígio e outros, mas, no Comunicurtas, foi a primeira passagem, assim como os outros que também foram exibidos durante a noite, sendo eles “Cinema Nosso”, “Tupinambás – Vozes da Caminhada”, “Do Outro Lado”, “O Gato”, “Até 10”, “O Quarto Negro” e “Frei Damião – O Santo do Nordeste”.

A programação do festival teve, ainda, no período da tarde, o encerramento da oficina “Continuidade para TV e Cinema”, ministrada pela produtora, atriz, empresária e continuísta Fernanda Brandão, ao longo de três dias. Ela disse estar muito grata pela oportunidade de compartilhar conhecimentos com as pessoas que participaram da oficina. Ingrid Emanuelle, que participou dos três dias da oficina, disse que “a continuidade é uma coisa extremamente importante. O continuísta está tão inteirado de tudo que acontece que, caso o diretor falte, ele tem a possibilidade de dirigir, porque ele sabe tudo. Não é só ficar ligado com a roupa, com acessório, é tudo, desde eixo de câmera. A continuidade é uma coisa que a gente acha que nem é tão importante, mas é fundamental”.

Sobre participar do Comunicurtas, Fernanda ressaltou que amou participar, “porque eu acho que falar de continuidade é falar um pouco da alma que está por trás do cinema, é uma profissão que junta um todo, todos os departamentos: cenografia, arte, figurino, luz”. Ela destacou que pretende voltar a ministrar outras oficinas no festival. No último dia do evento Fernanda ainda ministra a oficina de Direção de Elenco. O encerramento da 14ª edição do Comunicurtas será na noite dessa sexta-feira (29), com a cerimônia de entrega dos troféus aos vencedores das mostras competitivas.

Cinema e música

Para animar o festival com música, a banda Zepelin e o Sopro do Cão tomou conta do espaço. A banda paraibana, formada em 2006, chegou a dar uma pausa por sete anos e agora está retornando. O show foi destacado por muitas músicas autorais. Na oportunidade, Igor Carvalho, um dos integrantes da banda, abordou sobre a proposta de tocar no evento e enfatizou a importância do projeto. “É interessante uma banda como a gente, autoral, tocar no Comunicurtas, porque aqui se tem uma mostra de músicas e videoclipes e isso é muito importante para a música. Hoje em dia se consome não só ela, mas também imagem. Hoje em dia está tudo alinhado. E assim vai, os dois se complementando”, pontuou.

Confira imagens do quarto dia do festival clicando AQUI.

Texto: Mayara Oliveira, Ricardo Junior e Jordana Nascimento
Fotos: Natasha Leoni, Joel Gonçalves e Mayara Oliveira

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